E B Segunda-feira acordei contrariadoE Sonhei com supermercado mas não tinha o que comerB Virei de lado vou dormir mais um bocadoE Tô com o sono perturbado mais tarde vou resolverB Ao meio- dia como a fome não sumiaE Eu fui na casa da tia e pedi pra me benzerB Ô Olegário seu problema eu não resolvo Um prato de arroz com ovo feijão farinha e couveE Talvez possa resolverB Nossa que fome que eu tôE Passei o dia inteirinho sem comerB Eu já não sei o que fazer da minha vidaE Por um prato de comida posso matar ou morrerB Na terça-feira com uma fome danadaE Peguei o rumo da estrada e fui andando sem destinoB E fui pedindo auxílio pra quem passavaE Mas o povo ignorava e assim eu ia seguindoB Na quarta-feira com a barriga vaziaE Eu fui na delegacia e pedi pra me prenderB Seu delegado eu não fiz nada de errado Mas quero ser enjaulado ou até mesmo acorrentadoE Se me derem o que comerB Seu Olegário se o senhor está com fomeA E Então mate um home e come não venha me interromperB Mas faz dois dia que eu não como nem fareloE Tô ficando amarelo o que é que eu vou fazerB Nossa que fome que eu tôE Passei o dia inteirinho sem comerB Seu delegado por um prato de comida Eu selei a minha vida naquele come não comeE Acabei matando um home e o senhor tem que me prender.
A Fome
Paulo Padilha
- A
- B
- E
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Tom: