Vez em quando eu quero ir
De vento em vento feito folha
Sem aviso pra cumprir
Itinerário pra seguir
Sem pergunta e sem resposta
Ver as ruas e pessoas
Os telhados seguem firmes
Traduzi do Sol as cores
Numa exatidão completa
A seta do improviso aponta
A chance agora é minha amiga
Varrendo as copas e as pitangas
De vento em vento feito folha
Percorro um milhão de bocas (e as bandeiras)
Vou balançando amendoeiras (trago as palavras)
Espalho todos os perfumes (e as sementes)
Desenho o som dos assovios (e calafrios)
E ligo Araguaína à Tóquio (assopro as velas)
Dos barcos e aniversários (atraso as ondas)
Desfaço as dunas
Vez em quando eu quero ir
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