[Intro] A D E A D E A D
E A D E A D
E A D E
A D E
Virá o dia em que o medo terá a leveza de uma pena esquecida
A D E
Quando a sombra da serpente não fará o coração acelerar
A D E
Mas será apenas o desenho de um galho sobre a grama macia
D E
A criança de peito ainda cheio do leite do céu
A D E
Estenderá a mão pequena e trêmula de curiosidade não de pavor
A D E
Sobre a toca onde a víbora se enrola como um caracol de escamas
F#m
E a víbora irmã não cuspirá veneno
D
Mas lamberá aquele dedo como quem prova o mel
A
Que escorre do favo da manhã
E C#m7 D
Perguntarão: como é possível
E
E a resposta será o silêncio que se aprendeu
A
Depois de tantas lágrimas enxugadas
D E A D E
A D E
O lobo aquele que uivava para a lua com fome de ausência
A D E
Terá seus dentes transformados em pétalas
A D E
E o cordeiro que antes tremia como a folha no outono
D E
Deitará a cabeça sobre o flanco do antigo algoz
A D E
E ouvirá surpreso o motor suave de um ronronar
A D E
Não haverá presa não haverá caça
F#m D
Apenas o respirar de dois corpos que aprendem
A E
Que o amor desarma as mandíbulas do tempo
D E
O leopardo pintado de manchas como constelações
D E
Correrá ao lado do cabrito numa aposta boba
D E
E quem vencer será o que primeiro tropeçar na própria sombra
D E
Ao ver uma flor desabrochar no caminho
A Bm E
O leão esse rei de juba incendiada
D E
Curvará o pescoço poderoso para pastar ao lado do boi
D
E ambos de focinhos enterrados no capim
E
Murmurarão preces de gratidão
D E
Pelo fim da cadeia que devorava a si mesma
A D E
E uma criança apenas uma com os cabelos cheios de vento
A D E
Passará a mão pela juba do leão como quem afaga um campo de trigo
A D E
Seu riso será a flauta que rege a sinfonia dos bichos
A D E
O urso dançará com a vaca num passo desengonçado
A D E
E os filhotes todos eles peludos e lisos
D E
Rolarão numa bola só de inocência e pelo
D E
Descobrindo que o medo é uma língua que já não se fala
A D E
Ninguém fará mal ninguém destruirá
A D E
Porque a terra finalmente se encharcou do conhecimento de Deus
A D E
Como as águas cobrem o fundo mais profundo do mar
D
O que era espinho virou ninho
D
O que era presa virou abrigo
D
O que era fera virou berço
A D E
E a criança aquela mesma que brincava na toca
A D
Correrá pelo campo aberto
E
Seguida por uma procissão de patas e cascos
A D
Asas e focinhos
E D
Num cortejo que celebra a única verdade que restou
E A D E A D E
O amor é a língua que todos os viventes enfim aprenderam a falar
A D
E a morte essa velha senhora
E
Ficou lá atrás esquecida
D E A
Como um brinquedo quebrado que já não interessa a ninguém
D E A D E A D E
D E A
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